A mulher ficha limpa

Sábado, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher, e estamos celebrando as mulheres que lutam contra a corrupção ao redor do mundo.

Jovita José Rosa é diretora do MCCE – Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, presidente do IFC – Instituto de Fiscalização e Controle, funcionária de carreira no DENASUS – Departamento Nacional de Auditoria do SUS. 

O que motivou você a se envolver na luta contra a corrupção?

Há 21 anos trabalho com auditoria no SUS. Fiscalizando todo recurso repassado pelo Ministério da Saúde à estados e municípios. Quando concluímos um trabalho com desvios de recursos enviamos como uma Tomada de Contas Especial – TCE para o TCU que após 5, 8 anos ou mais aquele gestor não devolvia o dinheiro desviado era imputada uma multa de 2%. Com isso sentia uma sensação de desvalia e que poderíamos encher esse Brasil e fiscais, que se não mudasse algo na sociedade, de nada adiantaria meu trabalho.

Em 2004 encontrei pessoas que tinham as mesmas angústias minhas e numa discussão chegamos a conclusão que se não mobilizássemos a sociedade essa situação não mudaria. Assim, com a parceria da Amarribo, criamos o IFC – Instituto de Fiscalização e Controle e iniciamos um trabalho de conscientização um sonho utópico numa caravana “Todos contra a Corrupção” no projeto “Adote um município” e assim começou minha luta no combate a corrupção.

Em 2006 conheci o MCCE, que em plena CPI dos sanguessugas, vi como uma política pública como o SUS estava sendo utilizada para fins eleitoreiros, não tive dúvidas fui pra lá.

Em que áreas você atua? De que forma você combate a corrupção?

Hoje atuo no combate a corrupção na saúde, e promovendo o controle social em várias frentes: no controle do legislativo de Brasília no Projeto Adote um distrital,  no projeto de iniciativa popular para a reforma política, Faço palestras em escolas e faculdades, sempre levando a cidadania, o controle social e o combate a corrupção.

A corrupção afeta homens e mulheres de forma diferente no Brasil?

Na minha experiência, trabalhando na auditoria do SUS, percebo que as mulheres são menos corruptas que os homens.

Ser mulher impacta de alguma forma sua atuação na luta contra a corrupção?

Acho que não impacta, apesar de que poucas mulheres fazem esse enfrentamento da corrupção.

Qual a importância da mulher nesta luta?

Essa luta é de todos os brasileiros e como nós mulheres somos a maioria e fundamentalmente, educadoras natas, o engajamento das mulheres tem muitas condições de trazer outros para essa luta.

Por fim, qual mulher te inspira a lutar contra a corrupção?

Minha Mãe. Que, analfabeta, que criou 14 filhos, lavava roupa pra fora para comprar livros para eu estudar, e dizia não querer para nenhuma das suas 7 filhas o mesmo destino dela.

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Este texto faz parte de uma série de entrevistas promovidas pela AMARRIBO Brasil em um especial para o Dia Internacional da Mulher, cujo objetivo é demonstrar a luta de mulheres contra a corrupção em todo o mundo.

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Por uma sociedade íntegra onde os direitos são respeitados

Sábado, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher, e estamos celebrando as mulheres que lutam contra a corrupção ao redor do mundo.

Lisandra Arantes Carvalho atua com Práticas Empresariais e Políticas Públicas no Instituto Ethos, é Coordenadora dos Comitês Locais de Controle Social para Mobilização e Monitoramento das Obras da Copa do Projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios.

O que motivou você a se envolver na luta contra a corrupção?

Por ter formação no movimento feminista e convivido com a triste realidade sexista, acredito que estão nas politicas publicas a esperança de condições mais igualitárias na nossa sociedade. Assim, todo e qualquer ato de corrupção impacta diretamente na vida política e civil das mulheres.

Em que áreas você atua? De que forma você combate a corrupção?

Atualmente trabalho mais diretamente com os temas da integridade e transparência dos(as) gestores(as)  no que diz respeito aos investimentos públicos.

A corrupção afeta homens e mulheres de forma igual no Brasil?

Acredito que não, tendo em vista a desigualdade entre os gêneros e seus impactos diretos na vida das mulheres tais como, divisão de tarefas, dupla jornada, salários menores, responsabilidade pelo sustento e cuidado com os filhos,  as mulheres se tornam mais expostas e  vulneráveis também aos efeitos e impactos sociais da corrupção.

Ser mulher impacta de alguma forma sua atuação na luta contra a corrupção?

Sim, os espaços políticos ainda são majoritariamente masculinos e brancos.

Qual a importância da mulher nesta luta?

Tal qual em qualquer outro espaço ou luta, o equilibrio de gênero permite analises e iniciativas que melhorem atendem às realidades sociais. Outro fator importante é ter a representatividade que melhor reflita a nossa sociedade e a ocupação dos espaços políticas e de luta por um numero cada vez maior de mulheres.

Por fim, qual mulher te inspira a lutar contra a corrupção e por que?

Todas as mulheres que já passaram pela minha vida, que de alguma forma me influenciaram, me ajudaram a me tornar o que sou. São elas que me inspiram a lutar. Faço isso pois acredito que merecemos todas viver numa sociedade mais integra, com nossos direitos respeitados e nossas necessidades atendidas.

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Este texto faz parte de uma série de entrevistas promovidas pela AMARRIBO Brasil em um especial para o Dia Internacional da Mulher, cujo objetivo é demonstrar a luta de mulheres contra a corrupção em todo o mundo.

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Paraíba feminina, mulher guerreira sim senhor!

Sábado, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher, e estamos celebrando as mulheres que lutam contra a corrupção ao redor do mundo.

Karine Oliveira é coordenadora do Instituto Soma Brasil, membro do Conselho de Transparência e Combate à Corrupção de João Pessoa, PB,  integrante das Redes ABRACCI e AMARRIBO Brasil e escreve no Blog Cidadania e Etc, no Jornal da Paraíba Online.

O que motivou você a se envolver na luta contra a corrupção?

É redundante dizer que é para a construção de uma sociedade mais justa. Mas é isso que me move. Acreditar que é possível construir outra realidade e um Brasil com tolerância zero para a corrupção.

Em que áreas você atua? De que forma você combate a corrupção?

Participo de articulações nacionais, como a ABRACCI, a Amarribo e a Rede por Cidades Justas e Sustentáveis. Na Paraíba, integro o Conselho de Transparência e Combate à Corrupção de João Pessoa e desenvolvo ações de monitoramento da transparência pública, educação para a cidadania e controle social da gestão pública.

A corrupção afeta homens e mulheres de forma diferente no Brasil?

As consequências da corrupção são geralmente mais danosas para os grupos vulneráveis ou menos favorecidos. No entanto, as mulheres afetam a corrupção de forma diferente. Um estudo recente baseado em relatórios da CGU e do Ministério do Planejamento concluiu que no serviço público as mulheres se envolvem com menos práticas ilícitas relacionadas à corrupção que os homens.

Ser mulher impacta de alguma forma sua atuação na luta contra a corrupção?

O universo do combate à corrupção ainda é predominantemente masculino. Mas eu me sinto bastante à vontade nele. Nunca me deixei intimidar pela condição de gênero.

Qual a importância da mulher nesta luta?

Como mencionei, estudos indicam que as mulheres em geral são menos suscetíveis à corrupção. Costumam ser mais sensíveis e responsáveis na gestão pública. Acho que a gente traz para estes – e outros – espaços o jogo de cintura e a habilidade nata de ser mulher, de ser mãe, de ser guerreira.

Por fim, qual mulher te inspira a lutar contra a corrupção e por que?

Ela se chama Joana. Tem 5 anos. E é minha inspiração permanente. Todos os dias olho pra ela sinto uma imensa motivação para seguir em frente.

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Este texto faz parte de uma série de entrevistas promovidas pela AMARRIBO Brasil em um especial para o Dia Internacional da Mulher, cujo objetivo é demonstrar a luta de mulheres contra a corrupção em todo o mundo.

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Liderança e inspiração para as mulheres brasileiras

Sábado, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher, e estamos celebrando as mulheres que lutam contra a corrupção ao redor do mundo.

Lizete Verillo atua voluntariamente como Diretora de Combate à Corrupção da AMARRIBO Brasil desde 2003, é Psicóloga formada pela Universidade Paulista (UNIP), com Pós-Graduação em Administração Organizacional pela Pontífica Universidade Católica (PUC-SP) e MBA em Gestão de Negócios. Atua como Consultora Organizacional. Desde 2003 responde os e-mails de cidadãos de todo o Brasil e da Rede AMARRIBO Brasil-IFC, auxiliando e fornecendo suporte técnico para a luta contra a corrupção nos municípios brasileiros.

O que motivou você a se envolver na luta contra a corrupção?

A indignação com tanto descaso com o cidadão, pela administração publica.

Em que áreas você atua?

Na formação, atualização e desenvolvimento da rede de controle social AMARRIBO-IFC

A corrupção afeta homens e mulheres de forma diferente no Brasil?

A mulher é mais vulnerável e só vem conquistando políticas publicas há menos tempo que os homens. Por ser mais vulnerável, sofre mais os impactos que a corrupção causa. Já os homens parecem se envolver mais com atos de corrupção, até porque são também maioria na política. Na administração publica, concursados, não tenho o dado da relação homem-mulher.

Ser mulher impacta de alguma forma sua atuação na luta contra a corrupção?

Na luta contra corrupção não impacta o fato de eu ser mulher. O impacto de ser mulher é a falta de tempo para disponibilizar para mais uma luta, no caso o combate a corrupção, às outras tantas lutas, que qualquer mulher acumula: casa, comida, filhos, trabalho, amigos, lazer, saude.

Qual a importância da mulher nesta luta?

A mulher traz a coragem, ponderação, ocupa um espaço que era só masculino e tímido no combate a corrupção.

Por fim, qual mulher te inspira a lutar contra a corrupção e por que?

Todas as mulheres que sofrem os impactos da corrupção, que querem dar a seus filhos educação, saúde, moradia.

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Este texto faz parte de uma série de entrevistas promovidas pela AMARRIBO Brasil em um especial para o Dia Internacional da Mulher, cujo objetivo é demonstrar a luta de mulheres contra a corrupção em todo o mundo.

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Combate à Corrupção no Zimbábue: porque ser mulher ajuda

Sábado, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher, e estamos celebrando as mulheres que lutam contra a corrupção ao redor do mundo! Durante a semana publicaremos entrevistas com grandes mulheres, do nosso movimento, que lutam contra a corrupção no mundo todo.

Nyaradzo Mutonhori é coordenadora do Centro de Assistência Legal Contra a Corrupção da Transparência Internacional (TI) no Zimbábue. Ela foi informada que um político poderoso de Harare estava realizando extorquindo as mulheres, que solicitavam habitação subsidiada pelo Estado,  em troca de favores sexuais. As mulheres procuraram a polícia diversas vezes mas, como o político exercia grande influência local, as queixas e denúncias foram retiradas. As mulheres então procuraram o Centro de Assistência Legal, e ai Nyaradzo entrou em cena, ajudando as mulheres a elaborarem as denúncias e declarações e acompanhando-as até a delegacia para abrirem um processo contra o tal político. Após o acompanhamento não só o assédio foi interrompido, como as mulheres conseguiram aplicar os subsídios para habitação e receber o apoio ao qual tinham direito. A partir dai, Nyaradzo sabia que ela podia desempenhar um importante papel ajudando as mulheres de seu país a combaterem a corrupção.

Como o fato de você ser mulher impacta no seu trabalho?

Ser mulher faz com que seja mais fácil eu mobilizar outras mulheres. Eu posso facilmente relatar a elas como a corrupção afeta a vida delas, a nossa vida, a vida das mulheres. Também é mais fácil ter acesso a espaços com líderes politicamente sensíveis. No Zimbábue, líderes políticos tradicionais muitas vezes são hostis às organizações da sociedade civil. Porém, quando eles são abordados por uma mulher, eles tendem a atenuar o tom e são mais receptivos porque as mulheres são consideradas menos perigosas e menos propensas a se envolverem com política. Nessa linha, entre benefícios, há também o lado que é impactado de forma negativamente. Parte da sociedade pensa que as mulheres não possuem força para enfrentar grandes poderes e desafiar a corrupção sistêmica. Preferem um advogado “macho” para enfrentar os "grandes" casos.

A corrupção afeta homens e mulheres de forma diferente no Zimbábue?

As mulheres são diretamente afetadas pela corrupção por causa de seu papel cultural e das questões de gênero. A corrupção contribui para manter a precária situação de saneamento básico que temos. As mulheres sempre se deparam com quedas de energia e falta de água limpa. São elas que cuidam dos doentes e precisam buscar fontes de água que nem sempre são limpas e transmitem mais doenças como cólera e febre tifoide. Além disso, a extorsão sexual afeta diretamente as mulheres, principalmente as mais jovens que estudam e fazem faculdade. Professores e coordenadores exigem favores sexuais em troca de nota e aprovação em disciplinas, isso é comum.

O que é preciso para as mulheres se engajarem na luta contra a corrupção?

Recursos devem ser investidos na formação da capacidade da mulher para o controle social para exigir transparência e prestação de contas dos serviços públicos que recebem. É preciso que as mulheres saibam dos seus poderes e direitos, como o direito de acesso à informação, assim formaremos lideranças responsáveis, tanto em nível local como nacional. As mulheres devem ainda serem encorajadas a participarem de grupos de advocacia e investigação contra a corrupção e darem sua contribuição. Às vezes tenho a sensação de que as mulheres não sabem o impacto que sua participação pode ter.

Tem alguma mulher que te inspira?

Minha Diretora Executiva, Mary-Jane Ncube, me inspira, especialmente quando ela desafia setores que são contra o nosso trabalho. Sua coragem e tenacidade são inspiradores. Além dela, em um nível internacional, Huguette Labelle, Presidente da Transparência Internacional, me inspira. Seu entusiasmo e sua paixão por combater a corrupção. Ela me encoraja a desenvolver uma reputação de excelência como ativista.

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Este texto faz parte de uma série de entrevistas promovidas pela Trasnparência Internacional em um especial para o Dia Internacional da Mulher, cujo objetivo é demonstrar a luta de mulheres contra a corrupção em todo o mundo.

Por: Saran Koly – Africa Communications Coordinator at Transparency International.

Tradução: AMARRIBO Brasil

 

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Mulheres palestinas na linha de frente contra a corrupção

Sábado, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher, e para marcar a ocasião estamos celebrando as mulheres que lutam contra a corrupção ao redor do mundo! Durante a semana, publicaremos entrevistas com grandes mulheres, do nosso movimento, que lutam contra a corrupção no mundo todo.

Viola Atallah é coordenadora de projetos da AMAN Coalition, capítulo da Palestina da Transparência Internacional. Trabalha com sistemas de integridade e pesquisas sobre o papel da mulher na luta anticorrupção.

Como você se envolveu com a luta anticorrupção?

Eu estava fazendo mestrado em Democracia e Direitos Humanos na Bizeit University e tive contato com os Pactos de Integridade que a AMAN desenvolveu. Pela primeira vez eu comecei a entender de que forma a corrupção afetava nossas vidas. Eu fiquei intrigada com o significado de integridade e o efeito que ela poderia ter na prática e decidi me voluntariar na AMAN em 2009. Você sabe que na Palestina nós temos enormes desafios políticos e a corrupção passa por todos eles.

Quando eu sai da universidade comecei a entender porque eu não podia permanecer em um emprego durante muito tempo. A vaga logo seria anunciada novamente e seria ocupada por alguém que conhecesse um oficial de alta patente ou que tivesse ligações familiares fortes. Eu não era a única afetada por isso, mas sim toda a juventude da palestina.

Quais as áreas em que você atua?

Eu trabalho em muitos municípios e com as câmaras municipais para melhorar a eficácia das políticas públicas e dos serviços que chegam aos cidadãos. Isso envolve o fortalecimento dos sistemas de transparência e participação, para que os cidadãos sejam ativos, assim como fortes códigos de condutas.

Ano passado, nosso Centro de Assistência Legal recebeu cerca de 390 casos de reclamações que envolviam relações entre o poder público e os cidadãos, que não recebiam algum  serviço. Levamos esses casos a Comissão Anticorrupção para acompanhar. Durante as oficinas de conscientização, percebemos que as mulheres se sentiam inseguras em seus locais de trabalho, principalmente aquelas que trabalham em departamentos do governo local. Elas não podiam fazer seu trabalho e viviam sempre com medo da dor humilhante do assédio sexual. Tinham medo de denunciar e falar, medo de perder o emprego.

Então decidimos pesquisar o assunto e percebemos como esse fenômeno estava relacionado com a corrupção. A AMAN fez um relatório para publicar esse caso e as vozes dessas mulheres foram ouvidas. Encontramos uma realidade surpreendente.

O que mais te orgulha em seu trabalho?

Bom, primeiro, quando eu comecei a trabalhar, os representantes do legislativo não nos escutavam. As portas eram sempre fechadas para nós e falar sobre corrupção era um tabu. Nós quebramos essa barreira. Hoje os vereadores reconhecem que eles representam os cidadãos, que eles tem importantes deveres a cumprir e que são responsáveis pelo seu eleitorado. Agora, há, por exemplo, um sistema de recrutamento mais transparentes no município Ramallah. 

O que as palestinas podem fazer para combater a corrupção de forma efetiva?

As mulheres palestinas tem lutado contra a invasão, a pobreza, a falta de dignidade. A legislação deve ser colocada em prática para que as mulheres ocupem cargos políticos e para que o silêncio seja quebrado.

Por fim, qual mulher mais te inspira?

Todas as mulheres palestinas são minha inspiração. Elas são pacientes e possuem uma coragem incrível para suportar a dor. Tantas palestinas perderam membros de sua família ou viram eles serem presos. Temos enfrentado anos de invasão. Penso no que minha mãe e minha avó passaram e é de partir o coração.

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Este texto faz parte de uma série de entrevistas promovidas pela Trasnparência Internacional em um especial para o Dia Internacional da Mulher, cujo objetivo é demonstrar a luta de mulheres contra a corrupção em todo o mundo.

Por: Farid Farid, Assessor de Imprensa – Middle East & North Africa Transparency International.

Tradução: AMARRIBO Brasil

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Justiça bloqueia bens de ex-prefeito e outros sete

O ex-prefeito de Tangará da Serra, Júlio César Ladeia (PR), e mais sete pessoas tiveram os bens bloqueados pela Justiça. O montante varia de R$ 568,4 mil a R$ 2,7 milhões.

O republicano é acusado de improbidade administrativa por conta de dois contratos firmados com organizações da sociedade civil de interesse público (Oscip). Uma contratação semelhante foi o que levou à cassação de seu mandato em 2011.

A liminar concedida pela Justiça nesta semana atende ao pedido do Ministério Público, que questiona a legalidade de dois contratos celebrados entre o município e a empresa Ciap, com dispensa de licitação.

A empresa seria responsável por prestar serviços para a secretaria de Assistência Social e para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Os dois contratos datam entre os meses de agosto de 2008 e junho de 2009. A previsão inicial de repasse era de mais de R$ 2,2 milhões. Mesmo assim, foram feitos aditivos que somaram R$ 314 mil.

Além de Ladeia, tiveram os bens bloqueados a então secretária de Assistência Social, Ângela Joana Cesar Dedoja Louret; e o secretário de Saúde da gestão do republicano, Mário Lemos de Almeida, bem como os membros do Conselho Municipal de Assistência Social e Saúde, Eriko Sandro Soares, Gustavo Porto Franco Piola, Dinocarme Aparecido Lima, Elzira Vergínia Mariani Martins e Vergínia Aparecida Mariani. Já a Ciap, que prestou os serviços, não foi localizada pela Justiça.

Entre as irregularidades cometidas está a ausência de licitação, tendo em vista que, mesmo se tratando de uma Oscip, a legislação prevê a necessidade do certame, e falhas na fiscalização dos serviços, além dos aditivos aos contratos.

Em 2011, Ladeia foi cassado por conta de um contrato com a Oscip Idheas, que prestava serviços de saúde ao município, desde 2009. Estima-se que o rombo aos cofres do município tenha ultrapassado os R$ 6 milhões.

Fonte: Diário de Cuiabá

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Observatório lança reportagem especial sobre financiamento das ONGs

Em qualquer conversa no Brasil em que apareça uma Organização Não Governamental (ONG), uma pergunta sempre é feita, em geral com ar desconfiado: de onde vem o dinheiro? Para tentar responder a essa pergunta e quebrar preconceitos que dificultam o trabalho das entidades, o Observatório da Sociedade Civil lança a reportagem especial O Dinheiro das ONGs: Como as Organizações da Sociedade Civil sustentam suas atividades – e porque isso é fundamental para o Brasil.

> Clique aqui para acessar o arquivo em formato PDF

Disponível em PDF, o texto reúne informações das principais pesquisas acadêmicas disponíveis a respeito do tema para demonstrar a origem dos recursos que financiam as atividades das organizações. Além disso, o Observatório entrevistou ONGs com perfis variados de atuação e financiamento. Dessa pesquisa, surge a constatação de que a principal marca da sociedade civil brasileira também se reflete em seus modelos de sustentabilidade financeira: a diversidade.

Financiadas quase exclusivamente por agências de cooperação internacional de países desenvolvidos durante o período da Ditadura Militar, as ONGs brasileiras enfrentam desde meados dos anos 2000 uma forte diminuição nessa fonte e, com isso, surge o desafio de encontrar novas fontes de recursos. Assim, financiamento do Estado (nas três esferas de governo), de empresas e de indivíduos entram na pauta – todas opções utilizadas em outros países.

A reportagem mostra essa trajetória exemplificada na atuação de nove ONGs com perfis distintos: Criola, FASE, Centro Agroecológico Sabiá, Instituto Avisa Lá, UNAS, Greenpeace, CESE e Fundo Brasil de Direitos Humanos. Além disso, traz análises de especialistas do IPEA, Fundação Getúlio Vargas e Cetic/CGI. São ouvidos também representantes da Abong (Associação Brasileira de ONGs), GIFE (Grupo de Institutos e Fundações Empresariais) e do governo federal.

Vídeos

Duas entrevistas em vídeo complementam o material. Na primeira conversa, Laís de Figueiredo Lopes, assessora especial da Secretaria Geral da Presidência da República e uma das principais interlocutoras da sociedade civil no governo federal, fala sobre as discussões a respeito do novo Marco Regulatório para as OSCs. Na segunda, Eliana Rollemberg, militante histórica dos direitos humanos, fala da trajetória da CESE, entidade onde milita desde 1983 e onde ocupa hoje o cargo de assessora da diretoria.

> Assista aos dois vídeos no canal do Observatório no Youtube

Observatório da Sociedade Civil

O Observatório da Sociedade Civil é um projeto que visa promover um ambiente mais favorável para a atuação das Organizações da Sociedade Civil, entidades fundamentais para a democracia brasileira ao promoverem a participação da população e o controle social das políticas públicas. Para esse fim, desenvolve atividades que visam aumentar a visibilidade das organizações, informando a população e qualificando o debate a respeito do tema, com especial atenção à mídia.

Saiba mais: http://observatoriosc.wordpress.com/

Fonte: Observatório da Sociedade Civil

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No Combate à Corrupção

"Se desejamos um futuro promissor para o nosso País, não basta confiarmos plenamente nas instituições públicas. É preciso vigiar, cobrar e acompanhar bem de perto as ações que envolvem todos nós, brasileiros".

O Diretor de Eventos das Américas na ASUG, Lorival Verillo, faz a sua parte, em meio a todas as suas obrigações diárias. Ele é vice-presidente executivo da AMARRIBO Brasil, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que não apresenta fins lucrativos.

Pioneira no combate à corrupção no País, a entidade atua em sinergia com a sociedade civil, a administração pública, lideranças políticas e a iniciativa privada, para acompanhar a gestão dos bens públicos, promover a probidade administrativa, a ética e a transparência.

Verillo é formado em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, tem MBA em Gestão Empresarial pela Trevisan Escola de Negócios e é Especialista em Sistemas Aplicativos (ERP’S), com larga experiência junto às soluções de aplicativos da SAP Brasil, Alemanha e EUA. É Gerente de Tecnologia da Informação do Grupo Klabin e síndico do seu condomínio residencial, onde curte os poucos momentos que sobram do seu dia a dia tão intenso. Nesta edição da ASUG NEWS, ele nos prestigia com esse tema e comenta um pouco sobre sua experiência no setor.

ASUG NEWS: Como surgiu o seu interesse pela Amarribo?
VERILLO – Está no DNA da família. Estamos engajados pela probidade na gestão dos recursos públicos. Aprendi muito com o meu  irmão mais velho e amigos idealistas nascidos em Ribeirão Bonito, uma pequena cidade, localizada na região central do interior do estado de São Paulo, a 32 quilômetros do marco que deter- mina o centro geográfico do Estado e a 270 km da capital. Inconformados com a corrupção na administração municipal da época – há mais de 15 anos –, eles resolveram que valia a pena lutar por um mundo melhor, livre da corrupção, dos desmandos e da incompetência, que é tão nociva quanto os delitos de uma má gestão. É uma luta sem fim, mas que precisa ser travada no imediato e em longo prazo, com investimentos fortes na educação. Por tudo isso, criamos a Amarribo Brasil.

ASUG NEWS: O que já foi feito contra a corrupção pela Amarribo Brasil?
VERILLO – Estamos comemorando 15 anos de atuação. Acreditamos que fizemos o trabalho que tinha de ser feito. Já cassamos dois prefeitos, cinco vereadores e montamos uma rede de mais de 200 ONGs, filiadas à Amarribo. Com isso, ficamos conhecidos no Brasil e no exterior. Damos palestras gratuitas pelo Brasil e participamos de todas as iniciativas para promover a transparência e o direito à informação. Participamos ativamente na aprovação de leis,como a da Ficha Limpa e na organização da 15ª. IACC (Conferência Internacional Anti- Corrupção), onde estiveram presentes mais de 130 países signatários.

ASUG NEWS: Quais serão os próximos passos?
VERILLO – Temos de investir agora na formação educacional, pensando na reversão a longo prazo. Mas também precisamos administrar o momento atual para estancar o mal, propondo com leis e programas massivos em todos os âmbitos da gestão pública municipal, estadual e federal. A Amarribo Brasil tem feito bastante e atualmente é a organização que representa a Transparência Internacional no país e tem feito bastante através dessa parceria, mas precisamos de políticos comprometidos com a luta da sociedade civil.

ASUG NEWS: Amarribo conquistou o mundo?
VERILLO – A Amarribo ganhou projeção internacional depois de observada pela grande mídia como uma entidade que faz acontecer e que não tem medo de se expor diante de organizações criminosas. Não é fácil e o reconhecimento pode ser visto nas paredes de sua sede, com as centenas de reportagens que compõem o seu histórico de lutas. O livro lançado pela Amarribo, "O Combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil" já está na sua 5ª edição. É um guia para detectar este mal no âmbito municipal e mobilizar a sociedade civil para o controle social. Foi escrito a partir da experiência da Amarribo Brasil e da Rede Amarribo Brasil-IFC.

ASUG NEWS: Quem comanda a Amarribo?
VERILLO – É administrada pelos Conselhos Administrativo e Fiscal, por uma Diretoria Executiva e equipe. São voluntários que possuem algumas responsabilidades básicas, como zelar pela integridade moral e ética da organização; assegurar sua saúde financeira, sendo corresponsável pela captação de recursos necessários; e zelar pelo uso eficaz dos recursos.

ASUG NEWS: De onde vem os recursos que mantêm a Amarribo?
VERILLO – A maioria vem de doações de pessoas físicas. Sem elas, não teríamos os recursos necessários para manter este trabalho. O controle é feito por meio de publicação do Relatório Mensal com as atividades realizadas e a movimentação financeira do período. Os documentos podem ser baixados no site, assim como o Relatório Anual. Qualquer pessoa pode fazer uma doação. Basta clicar na área específica do site, ligar para (16) 3344-3807 ou escrever para socios@amarribo.com.br. Enviamos um recibo e também informações sobre nosso trabalho. A legislação brasileira permite que pessoas jurídicas possam deduzir as doações feitas para a Amarribo Brasil.

ASUG NEWS: A Amarribo aceita doações de empresas?
VERILLO – Sim, porém, existe uma política quanto às doações corporativas, devido ao rigor ético que direciona nosso trabalho. Não aceitamos, por exemplo, de empresas com atividades que estejam em conflito com nossa missão ou que contrariem nossos princípios e valores.

ASUG NEWS: É possível visitar a Amarribo?
VERILLO – Sim, nossa sede e os eventos são abertos para todo cidadão. Se alguém estiver interessado pode consultar nossa agenda de eventos e horário de funcionamento pelo telefone (16) 3344-3807 ou escrever para o e-mail socios@amarribo.com.br. Todos serão muito bem-vindos. Você pode conhecer um pouco sobre o nosso trabalho visitando o site www.amarribo.com.br . 

Trecho da entrevista retirado da ASUG NEWS 5 – Edição JANEIRO FEVEREIRO 2014

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Projeto de lei antiterrorismo ameaça direito de manifestação

Sob pressão da mídia e ignorando discussões internacionais sobre o tema, parlamentares tentam apressar projetos de lei que criminalizam manifestações de rua e movimentos sociais

O direito de livre manifestação dos brasileiros está sob ataque. Essa é a avaliação de Organizações da Sociedade Civil a respeito de uma série de projetos em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado que visam endurecer de diversas maneiras a legislação e ameaçam criminalizar protestos de rua.

O mais falado deles é o PLS 499/13, chamado de Lei Antiterrorismo, proposta resgatada no Senado como uma resposta à trágica morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um rojão disparado por manifestantes durante confronto com a polícia no Rio de Janeiro. Com artigos vagos e abrindo espaço para interpretações que tratem movimentos sociais como criminosos, a lei tem sido vista como um ataque aos direitos de manifestação e organização.

O PL é um entre 14 outros projetos em tramitação nas duas Casas do Legislativo que afetam as manifestações de rua, segundo levantamento publicado pela ONG Artigo 19.

Em nota pública, a Abong alertou para as tentativas de “criminalizar o protesto”, ameaçando o direito de expressão.  “Para quem viveu na ditadura, ou para quem conhece um pouco da história do nosso país, parece que estão querendo ressuscitar a ‘Lei de Segurança Nacional’. Estão querendo criminalizar o protesto. Estão querendo caracterizar manifestações como risco para a segurança dos/as cidadãos/ãs. Um dos elementos fundamentais da democracia é o direito à liberdade de expressão, de opinião, de manifestação. Um ambiente social pacífico não pode ser conquistado às custas deste direito”, afirma o texto.

“Tratar manifestações assim significa um risco de retrocesso. Manifestação não é ato terrorista. Claro que têm ocorrido atos de violência que não podem acontecer, mas teria que ver todos os casos, inclusive quando a policia mata”, lembra Cândido Grzybowski, diretor do IBASE. “É péssimo que o tema seja pensado nesse contexto, diretamente relacionado à morte de um jornalista. Parece estar atendendo às pressões da mídia sobre esse caso e não levando em conta outras mortes, as ações violentas da policia”, lembra Cândido Grzybowski, diretor do IBASE.

Outra nota assinada por diversos movimentos e organizações da sociedade civil denuncia que a “violência no contexto das manifestações não é de hoje”. Segundo o texto, “contabilizam-se ao menos 18 mortes em todo o Brasil, incluídas neste número as execuções de nove moradores da Maré durante uma operação da PMERJ, com apoio da Força Nacional de Segurança, no dia 24 de junho, a partir da justificativa de ‘buscar suspeitos’ de terem realizado um arrastão durante uma manifestação em Bonsucesso”. A nota registra ainda ao menos 118 agressões a jornalistas em todo o Brasil desde junho de 2013, a maioria delas cometidas pela polícia, além de incontáveis manifestantes atingidos gravemente por balas de borracha e estilhaços de bombas de efeito moral.

“A polícia carrega no seu seio o espírito terrorista. Vem do período militar a concepção que ela aplica hoje. Continuam matando como matavam, torturando como torturavam, não mudou muito. Ela foi preparada para a repressão e continua fazendo. Quando chega a uma manifestação, chega com a mesma cultura, não sabe como tratar. Ela mostrou isso ano passado, em São Paulo, no Rio e em outros lugares. Em parte, a policia ajudou a criar o problema, porque a atuação dela não é para garantir o direito de manifestação, mas para reprimir”, alerta Cândido.

O diretor do IBASE questiona a postura da mídia perante as manifestações, em especial seu papel ao alimentar a comoção em torno da trágica morte de Santiago. “A mídia está há tempos falando em vandalismo e foi a morte de um cinegrafista que fez eles reagirem. É muito esquisita essa posição. É como se a mídia também estivesse numa escalada de violência”, afirma. “A mídia tenta pautar as manifestações. No início ela apostou que isso ia desestabilizar o governo. Quando ficou mais claro que estavam em questão direitos e não a corrupção, que era do que ela queria tratar, especificamente contra o PT, ela rapidamente muda de posição e passa a chamar os manifestantes de vândalos.”

PL ignora discussão internacional sobre terrorismo

Para Camila Marques, advogada do Centro de Referência Legal em Liberdade de Expressão e Acesso à Informação da ONG Artigo 19, o PL 499 tem problemas e imprecisões graves e não deveria ser levado adiante. “Não seria um benefício mudar alguns artigos, essa lei não deveria existir no ordenamento jurídico brasileiro. O projeto deixa espaço para criminalizar grupos que não são terroristas, mas movimentos sociais”, defende. “Em todos os artigos o PL reflete algo muito genérico, conceitos que não são muito bem definidos. Isso é um problema porque aí cabe ao juiz decidir aquele conceito. Um exemplo problemático é o conceito de ‘provocar pânico e terror’. Como definir o que é pânico? Como é provado que essas situações foram provocadas? Isso o projeto não define”, analisa.

Essas brechas abrem espaço para que a lei seja usada contra manifestações e movimentos sociais legítimos. Por exemplo, o texto caracteriza como terroristas manifestações em palcos tradicionais de reuniões populares, como estações de metrô, barragens, escolas e estádios esportivos. Em outro artigo, cria penas para o financiamento do terrorismo – abrindo espaço para que apoiadores e doadores de movimentos sociais e organizações possam ser criminalizados junto com as entidades.

Camila também ressalta artigos do projeto que se sobrepõe a legislações já existentes. “Ele traz a possibilidade de punição para ‘terrorismo contra coisas’, por exemplo. Eu questiono a necessidade desse artigo, pois já temos no Código Penal o crime contra o patrimônio”, explica. Além disso, as penas previstas são mais altas do que o Código Penal dispõe para outros crimes, novamente entrando em atrito com a legislação existente.

Para ela, a proposta ignora todo um debate internacional já consolidado sobre o que define terrorismo e como combatê-lo. “Há todo um protocolo internacional da ONU e de outras entidades que coloca as condições do que deve ser visto como terrorismo. No Brasil, não temos acumulo de discussão sobre isso. A gente vê novamente os congressistas e a comunidade envolvida a favor desse PL não estão discutindo com base nesses documentos internacionais que há tempos debatem o que é terrorismo, como deve ser uma lei a respeito disso. Entender como terrorismo essas práticas de movimentos sociais e ações na rua acontece porque nunca discutimos o que é terrorismo”, lamenta.

O debate a respeito do direito de manifestação, reacendido após as Jornadas de Junho, no ano passado, chega a um ponto crucial, alimentado por um cenário político agitado tanto pelas eleições de outubro quanto pela Copa do Mundo em junho. Para as OSCs, interessa inverter o rumo indicado por tais projetos de lei e discutir caminhos para ampliar a democracia, incluindo mudanças na cultura da polícia brasileira.

Fonte: Observatório da Sociedade Civil

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