O acesso é para o cidadão

Por Marcelo Soares*

Em 2008, tive a honra de visitar Malmö, na Suécia – a cidade onde nasceu e morreu a avó de minha avó. Ao visitar o arquivo público municipal, em menos de
meia hora tinha em mãos os documentos manuscritos que registravam sua partida para o Brasil; sua volta à cidade, 17 anos depois; e sua morte, de um misto de tuberculose e meningite pegas no navio, pouco depois de aportar em sua terra. Uma breve busca num banco de dados publicamente disponível me permitiu
localizar exatamente onde está seu túmulo. 

A Suécia foi o primeiro país do mundo a ter uma lei de acesso a informações públicas, 130 anos antes de dona Carolina Olsson emigrar. Por causa disso é que os arquivos são organizados o suficiente para que, cem anos após sua morte, um tataraneto curioso possa rastrear seus passos. Depois do pioneirismo da Suécia, mais de oitenta países criaram suas leis de acesso a informações públicas antes de o Brasil dar efeito à sua. 

Esse é o mais importante direito fundamental pouco conhecido pela maioria. O acesso a informações públicas permite obter dados para exercer direitos – dos mais amplos, como o direito a conhecer a história do país, aos mais pessoais, como conhecer melhor uma parente que o curioso não teve a satisfação de conhecer. Geralmente, quando se falava em acesso a documentos do governo, a referência imediata costumava ser a dos papeis da ditadura militar. Claro que é importantíssimo acessá-los para resgatar a história do Brasil – ainda que o Arquivo Nacional tenha baixado uma ordem pra só liberar documentos sobre pessoas caso o curioso obtenha informações por escrito.

Os primeiros meses de vigência da lei de acesso no Brasil, porém, mostraram que não é apenas para conhecer o passado que serve uma lei assim. Uma lei que garanta o direito de acesso a informações públicas serve antes de mais nada para o cidadão saber o que está acontecendo AGORA. Ou o que aconteceu há pouco tempo. É apenas com essa urgência que os direitos bem-informados se podem fazer cumprir.  Essa observação entrou muito timidamente no debate público antes da criação da lei – falava-se em “lei que permite ver documentos sigilosos” (não é o caso; documentos dentro do prazo de sigilo ainda não são públicos), por exemplo. 

Ainda assim, o cidadão captou a mensagem tão logo a lei passou a valer. Boa parte dos pedidos de informação diz respeito a salários dos servidores públicos.
E aí, começaram as reações corporativistas a essa mudança de cultura. No Senado, por exemplo, colocou-se no site uma tela de consulta por nome do servidor, onde você só pode ter acesso a dados se tiver de cabeça o nome de um dos 6.364 servidores da Casa (sim, é o equivalente a 78 servidores por senador). Um terço deles, aliás, está em “regime especial de frequência” – ou seja, não precisa bater ponto, tal como a playmate Denise Rocha Leitão antes de ser exonerada.

Tribunal após tribunal reconheceu que a informação dos salários dos servidores é pública. Atendendo a contragosto à determinação, os órgãos públicos resolveram impor a barreira do cadastro e informar aos consultados. O que é um perigo.

Para baixar os dados completos no Senado (e não só), você precisa preencher um formulário, informando seu nome, o endereço da sua casa e o seu CPF. O IP do seu computador também fica registrado. Por que raios o Legislativo precisa saber seu endereço para dar informações pela internet? Simples: para intimidar os curiosos.

Isto consta do ato interno que regulamentou o fornecimento de informações da Câmara:

Art. 7º Qualquer interessado poderá apresentar pedido de acesso a informações da Câmara dos Deputados, por qualquer meio legítimo, devendo o pedido conter a identificação do requerente e a especificação da informação requerida.

•  5º Dar-se-á ciência a deputado ouservidor sobre teor de requerimento de acesso à informação no qual tenha sido nominalmente identificado.

Ou seja: tudo o que você perguntar sobre um deputado ou servidor específico, ele vai ficar sabendo. Se você for jornalista, pode estar revelada sua pauta. Se você for um opositor, estará exposto a pressões. Dependendo da informação pedida e do canto do Brasil de onde for o deputado, estará exposto até a ameaças ou coisa pior.

“Descobri que uma ex-namorada minha pesquisou meu salário”, disse um amigo que trabalha no Senado. “Não gostei de saber disso, mas paciência; é o direito dela.” Um amigo que trabalha num órgão público de Porto Alegre teme pela segurança de sua família – e se bandidos pesquisarem sua vida financeira? (Pessoalmente, tendo a pensar que os bandidos preferem mirar quem dá sinais externos de riqueza, como carrões – o que claramente não é o caso dos amigos. Duvido que um bandido requisitaria informações públicas para escolher potenciais alvos.)

Ao tratar qualquer curiosidade como potencialmente criminosa, porém, o corporativismo dos órgãos públicos procura matar no nascedouro a cultura de informações públicas que mal e mal estamos começando a ter. Dias depois de eu publicar essa observação, veio à tona a triste história de Weslei Machado, servidor público, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao consultar remuneração de servidores ao acaso, uma se irritou. Levantou seus dados de contato e entrou numa batalha verbal com o consulente.

Esse tipo de medida vai completamente contra o espírito da lei de acesso a informações públicas, porque não protege a privacidade de quem consulta informações que o poder público é obrigado a fornecer. Na Câmara, existe o mesmo tipo de medida.

Pessoalmente, acredito que a divulgação dos salários dos servidores prejudica muito, mas muito, menos a segurança do servidor do que a exigência de identificação prejudica a segurança do curioso. No caso de Weslei Machado, houve basicamente uma desinteligência. Mas imagine, por exemplo, o que fariam nas regiões de faroeste do Brasil a quem consulta informações sobre os proprietários de fichas sujas de sangue.

O poder ainda está acostumado àquela lógica do sigilo que só colabora com o velho jogo de Super-Trunfo entre governo e oposição. Um lado chantageia o outro com o que sabe. A grande arma é a ignorância do cidadão. Enquanto o cidadão não sabe, governo e oposição ficam felizes no seu grenal. Quando o cidadão fica sabendo, é um auê. Perceba: o cidadão saber é considerado punição, não regra. E, quando se determina a obrigação de contar ao cidadão, os órgãos públicos fazem de tudo para intimidar os curiosos.

O problema da lógica do sigilo é que a escuridão faz fermentarem grandes problemas, que só aparecem quando estão grandes demais para serem resolvidos.

Na Suécia da minha tataravó, até os e-mails de autoridades são considerados documentos públicos e desde 1998 podem ser requisitados por qualquer cidadão. Cada vez em que abro o jornal e vejo um novo escândalo envolvendo funcionários contratados sabe-se lá para quê usando influência política para emplacar autoridades que beneficiarão sabe-se lá quem, lembro daquela terra gelada.

*Marcelo Soares, é membro da equipe de Novas Plataformas da Folha de S.Paulo e membro do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).

 Artigo publicado originalmente em MPD Dialógico – Ano VIII – nº39: http://www.mpd.org.br/img/userfiles/file/Dialogico39_FINAL_bx.pdf

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A Lei de Acesso e o falso conflito entre a transparência e privacidade dentro do Estado

Por Fernando Rodrigues*

Há um sofisma na praça desde a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação Pública: a divulgação nominal de salários de servidores públicos e de outros detalhes funcionais seria uma afronta ao princípio constitucional do direito inalienável do cidadão à privacidade. 

É fácil desconstruir o argumento, que aliás é nocivo ao conjunto geral dos servidores públicos brasileiros. A Lei de Acesso à Informação, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 18 de novembro de 2011 (Lei 12.527, aqui disponível: http://bit.ly/leiacesso12527), produz uma garantia inaudita para a maioria dos funcionários do Estado que trabalham cotidianamente de maneira correta para tornar o Brasil um país melhor, mais justo, mais democrático e mais transparente.

Quando um cidadão se interessa em um cargo público, alguns fatores norteiam sua escolha. Vocação para servir ao Estado, benefícios da carreira que poderá seguir e salário são alguns aspectos considerados. Ao prestar o concurso, o cidadão sabe exatamente quanto vai receber de vencimentos no primeiro dia de trabalho. Mas não só o cidadão conhece essa informação. Qualquer outro ser humano, em qualquer parte do planeta, terá acesso ao dado se consultar o edital. 

E o que acontece em seguida? Em muitos casos, nada mais. O cidadão que passou no concurso público ingressa numa carreira dentro do Estado, trabalha de maneira digna e recebe de salário mensal aquele valor estipulado no edital que anunciou a abertura da vaga.

Mas quais são as exceções? Em muitos casos (e o Brasil está no curso de saber se, de fato, são exceções) uma série de benefícios impróprios são concedidos. O salário inicial se multiplica de maneira exponencial. Nessa fase, só o próprio servidor público e seus superiores têm conhecimento do que se passa. Ainda assim, o dinheiro usado nesses pagamentos continua a sair da mesma fonte: os impostos pagos por todos os contribuintes brasileiros. 

Após a promulgação da Lei de Acesso (no final de 2011) e sua entrada oficial em vigor (em maio de 2012), algumas propostas surgiram para que não fossem divulgados os salários nominais dos servidores públicos. No lugar, seria apenas colocada para conhecimento do público uma tabela com as funções de um determinado organismo do Estado e os vencimentos fixados para cada um dos cargos. 

Não é necessário ser muito perspicaz para concluir que esse procedimento apenas protegeria quem erra e deixaria exposto quem faz a coisa certa. O funcionário público que continuasse dentro do seu plano de carreira inicial e dentro das regras estipuladas teria o seu salário conhecido –ainda que de maneira indireta. Já o que obteve, sabe-se lá como, vantagens indevidas estaria protegido pelo manto opaco dessa tabela de cargos e salários genéricos.

Em resumo, o conflito sobre a privacidade é um sofisma porque todo cidadão sabe muito bem que ao ingressar no serviço público o seu salário será conhecido. Está estipulado em um edital. Por que não deveria continuar assim pelos anos seguintes de sua carreira? Não há razão objetiva para esse óbice. 

Argumenta-se também que em nenhum país do mundo há uma Lei de Acesso que determine tal grau de transparência para cargos e salários. Nos Estados Unidos, um dos países mais abertos do planeta, não existe essa prática generalizada para todos os órgãos e entidades estatais. É verdade que o Brasil pisou fundo no acelerador quando se trata de transparência sobre a remuneração dos servidores. Mas não ultrapassou nenhum limite de velocidade no que diz respeito à privacidade do cidadão. Ao contrário, a Lei de Acesso, como disse no início, protege a maioria do servidores que são honestos na sua missão dentro do Estado. A Lei de Acesso à Informação brasileira também se beneficia do fato de ter sido adotada tardiamente por aqui. Mais de 80 países já haviam aprovado tal legislação quando a regra passou a vigorar no Brasil. É natural que então sejam incorporados dispositivos ainda inéditos em outros lugares.

A transparência total sobre gastos do Estado, inclusive com os salários de servidores públicos, é um desses avanços que devem fazer o Brasil se orgulhar. E não tergiversar sobre invasão de privacidade, algo que nem de longe ocorre.

*Fernando Rodrigues é jornalista. Trabalha na “Folha de S.Paulo”, UOL, (http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br), rádio Jovem Pan (São Paulo) e rádio Metrópole (Salvador). É diretor da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), membro do Conselho Editorial da ANJ e também um dos coordenadores Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas (www.informacaopublica.org.br).

Artigo publicado originalmente em MPD Dialógico – Ano VIII – nº39: http://www.mpd.org.br/img/userfiles/file/Dialogico39_FINAL_bx.pdf

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Reforma dos políticos é apenas eleitoral, e não política

“É muito importante que os cidadãos mais conscientes fiquem atentos à verdadeira reforma política, que só tem condições de sair através das entidades da sociedade”

Aos poucos ficamos sabendo pelos noticiários o que andam aprontando nossos políticos em relação ao que está sendo chamado de “minirreforma eleitoral”. Apesar de a própria Câmara ter preparado o seu portal e-Democracia para receber sugestões dos cidadãos, parece que as coisas não vão ser tão fáceis assim. Pelos resultados das informações do portal, as principais reivindicações são pelo fim do voto secreto em todas as votações no Congresso e do voto livre nas eleições.

Também tivemos esta semana a divulgação da pesquisa MCCE/OAB, encomendada ao Ibope, que veio revelar que impressionantes 85% dos cidadãos entrevistados quer uma reforma política. O detalhe é que quase a totalidade dos participantes da pesquisa não quer o Congresso Nacional cuidando sozinho dessa reforma. Um firme percentual de 92% quer reforma política por meio de projeto de lei de iniciativa popular, e não lei originária dos nossos parlamentares.

Infelizmente, nossos políticos pensam de forma diferente e os termos da proposta em discussão no grupo de trabalho liderado pelo deputado Candido Vaccarezza (PT-SP) vão na direção de uma reforma apenas eleitoral e não política. Daí algumas “pérolas”, como um dos artigos que determina que um candidato não pode ser responsabilizado por crime praticado por integrante da campanha, salvo se provada sua participação intencional. Ou a “flexibilização” da comprovação de gastos de campanha, bastando, para isso, que o político apresente tais despesas na internet, sem necessidade de apresentar documentos comprobatórios.

Por essas e outras é muito importante que os cidadãos mais conscientes fiquem atentos à verdadeira reforma política, que só tem condições de sair através das entidades da sociedade. Por exemplo, a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política está realizando até domingo a Semana Nacional de Coleta de assinaturas da Iniciativa Popular da Reforma Politica, com o seguinte alerta: “corremos o risco de o Congresso Nacional votar uma minirreforma eleitoral na contramão de tudo o que defendemos e acreditamos”. Acessem o reformapolitica.org.br e conheçam detalhes dessa proposta.

Também vale conhecer outra proposta vinda da sociedade, chamada de campanha Eleições Limpas, criada pelas mais de 50 entidades integrantes do MCCE. Essas duas propostas já foram comentadas aqui anteriormente.

Outra grande rede de organizações da sociedade civil, a Articulação Brasileira de Combate à Corrupção e a Impunidade (Abracci), composta por 54 entidades dedicadas ao monitoramento de governos e ao combate à corrupção, está lançando um firme manifesto contra a minirreforma eleitoral. Mais uma clara resposta da sociedade aos políticos que teimam em ignorar a chamada “voz das ruas”.

É nosso dever máximo de cidadania nos manifestar sobre uma reforma – seja política ou meramente eleitoral – que atente tão profundamente contra os princípios mais básicos da cidadania e da verdadeira representação política. Precisamos continuar de olho!

Originalmente publicado em Congresso em Foco.

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Audiência pública encerra XII Marcha Contra a Corrupção e Pela Vida

Após 15 dias de caminhada marchantes dão continuidade aos trabalhos iniciados no sertão.

Por Lírian Pádua*

Na semana passada, dia 23 de julho, foi encerrada a XII Marcha Contra a Corrupção e Pela Vida, organizada pela Força Tarefa Popular, que acontece todos os anos no sertão do estado do Piauí. A Marcha durou 15 dias, percorreu 150 km e passou por seis cidades e dois povoados.

O encerramento foi realizado em audiência pública na Câmara Municipal de São Raimundo Nonato, Piauí, última cidade por onde passou a Marcha. No evento estavam presentes dezenas de cidadãos, vereadores, integrantes da Rede AMARRIBO Brasil-IFC e da ABRACCI, representante da Transparência Internacional e da Controladoria-Geral da União (CGU).

Nos próximos dias serão divulgados os relatórios referentes às cidades de Caracol, Jurema, Anísio de Abreu, São Braz e São Raimundo Nonato. Segundo o organizador da marcha, Arimatéia Dantas, a Marcha continua. “Depois do contato direto com a realidade e colhendo informações entramos na segunda parte da Marcha que será analisar o que foi visto e as denuncias recebidas. Um momento muito importante onde se formata decisões sobre o que fazer”, disse Dantas.

Para a representante da Transparência Internacional, Luciana Torchiaro, a Marcha é uma experiência impressionante e que deve ser replicada em outros países. “A corrupção aqui no sertão é muito grave e é desumana. Queremos levar a experiência da Força Tarefa Popular para todo o mundo”, revelou.

Na audiência foi apresentado um estudo realizado pela Transparência Internacional que mostra os custos da corrupção. Segundo Luciana, de 20 a 70% dos recursos investidos em água potável no mundo são desviados. “Com transparência e controle social esses desvios podem ser evitados”, ressaltou.

Durante a audiência foi entregue a denúncia sobre a situação de Guaribas – primeiro município visitado pelos marchantes – ao Chefe da Controladoria Regional da União no Estado do Piauí, Orlando Castro. De acordo com Castro, fiscalizar não é difícil. A orientação é para que o cidadão fique atento, anote as informações que constam na placa de uma obra e tire fotos, por exemplo. Além disso, ele ressaltou que os munícipes também podem encontrar informações no Portal da Transparência. “É importante que o controle social aconteça e que essas informações cheguem aos nossos olhos. Todas as denúncias apresentadas aqui serão devidamente apuradas”, comprometeu-se.

Para Orlando, o problema do Piauí não é carência de recursos financeiros. “Como cidadão fico impressionado com a quantidade de verba que vem do nosso Estado e como as pessoas continuam sem água, como as escolas continuam sem merenda, e os postos de saúde sem remédio. Por incrível que pareça não é por falta de recursos”, disse.

De acordo Nicole Verillo, da AMARRIBO Brasil, agora começa uma nova etapa da Marcha. “Iremos finalizar o relatório com todas as denúncias, enviar a todos os órgãos responsáveis e acompanhar. Também pretendemos dar continuidade a formação dos cidadãos das cidades em que passamos, fornecendo todo o apoio necessário para que eles sigam exercendo o controle social e garantindo a qualidade de vida em seus municípios”, disse.

Para Luciana, o controle social por parte dos cidadãos é fundamental. “O Brasil possui uma boa legislação, como a recente Lei de Acesso à Informação e a Lei da Ficha Limpa. Não faltam instrumentos, o que precisa ser feito é aplicá-los, colocá-los em prática através do exercício do controle social. É isso que a Marcha se propõe. “A transparência, sozinha, não é suficiente para se combater a corrupção. A participação cidadã e o controle social são fundamentais”, concluiu.

Para Arimatéia, o governo deve fazer uma campanha nacional que estimule e ensine a população a fiscalizar as contas públicas, hoje somente a sociedade civil organizada se preocupa com isso. “Iremos construir núcleos de fiscalização nos municípios para darem continuidade ao processo de controle social iniciado pela Marcha. Vamos articular com a ABRACCI, AMARRIBO Brasil, IFC e Transparência Internacional, uma audiência com a Presidente Dilma para apresentar o que vimos e denunciar diretamente a negligencia com o erário federal nos municípios visitados, propondo uma parceria mais direta dos órgãos como TCE, CGE e CGU com a população para a fiscalização”, relatou Dantas.

 

Luciana Torchiaro, representante da Transparência Internacional (Foto: Lírian Pádua) Arimatéia Dantas, coordenador da Marcha (Foto: Lírian Pádua)

 

Sobre a Marcha

A XII Marcha Contra a Corrupção e Pela Vida é um movimento da Força Tarefa Popular, que envolve cidadãos, ONGs, sindicatos e toda a sociedade civil, visando promover o controle social e combater a corrupção. Neste ano, a marcha começou no dia 10 de julho e percorreu seis municípios do semiárido piauiense, dois povoados e diversas comunidades no sul do Estado. O tema escolhido foi a Seca.

Durante a caminhada os ativistas encontraram irregularidades e mau uso do dinheiro público, como construções  inacabadas, Câmara de Vereadores fechadas, furtos de caixas d'água públicas, obras abandonadas e até livros didáticos de 2013 lacrados e abandonados, impedindo o acesso a estudantes.

Para o organizador da marcha, Arimatéia Dantas, é importante trazer para o debate público a ineficiência nas obras em relação à seca. "É muito cruel a forma como tratam o sertanejo, inviabilizando o acesso a água, como no caso das adutoras em que foram gastos milhões e estão paradas”, lamentou.

O intuito dos voluntários que caminham pelas cidades do interior do Piauí é de fiscalizar obras, contas públicas e incentivar a população a fazer o controle social como forma de prevenir a corrupção. Somando todas as edições os marchantes já andaram mais de 2750 quilômetros. Este ano participaram da marcha, voluntários do Piauí, Brasília, Bahia, Ceará, São Paulo e até da Argentina.

Após a fiscalização em cada município, o grupo da Força Tarefa Popular apresentava aos moradores a situação da cidade e ministrava uma aula de cidadania, estimulando a população a fiscalizar os gastos públicos.

Veja aqui mais fotos da Marcha: http://migre.me/fDNnB

Distribuição livro "O Combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil" (Foto: Lírian Pádua)   Entrega do relatório de denúncias para a CGU (Foto: Lírian Pádua)

 

*Lírian Pádua é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalista e voluntária da ONG BATRA – Bauru Transparente, integrante da Rede AMARRIBO Brasil-IFC.

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O Direito a Blogar

Publicação da Artigo 19, onde são propostas um conjunto de recomendações aos atores estatais e tomadores de decisões sobre o que deveriam fazer no sentido de promover e proteger os direitos dos blogueiros em nível nacional e internacional. Inclui também conselhos práticos aos produtores de conteúdo sobre seus direitos e explica como – e em que situações – podem invocar alguns dos privilégios e defesas que os jornalistas tradicionais concluíram ser essenciais para a integridade do seu trabalho.

Assim como aconteceu com muitos outros aspectos da vida moderna, a Internet transformou a forma como nos comunicamos uns com os outros. Enquanto a imprensa em papel e os meios de radiodifusão foram a principal fonte de informação, a Internet tornou possível que qualquer pessoa possa publicar ideias, informações e opiniões em todo o mundo. Os blogs e as redes sociais estão agora em nível de paridade com os jornais e a televisão, como fontes dominantes de informação. Sem qualquer surpresa, esta evolução tem também levantado dúvidas sobre a definição de “jornalismo” e “mídia” na era digital. Tem levantado também questões difíceis sobre como as atividades dos blogueiros e dos jornalistas cidadãos podem ser compatíveis com os modelos existentes de regulamentação dos meios de comunicação social.

O documento aborda os problemas principais que os blogueiros poderão enfrentar, tais como: licenciamento, registro com nome revelado (versus anonimato), créditos, proteção das fontes, proteção contra a violência e responsabilidade jurídica e ética. O documento sugere também quais formas estas questões devem ser abordadas.

Faça aqui o download da publicação 'O Direito a Blogar'

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Balanço de 1 ano da Lei de Acesso à Informação Pública

Relatório desenvolvido pela Artigo 19 que apresenta os resultados do primeiro monitoramento do acesso à informação no Brasil a partir de seu banco de dados. Apresenta também os resultados de uma reunião ampla com organizações da sociedade civil para discutir as percepções de um ano da Lei de Acesso à Informação e faz uma análise das respostas ao questionário online enviado para parceiros para avaliar suas experiências no uso da lei.

O monitoramento realizado pela Artigo 19 é um estudo autônomo que contou com a colaboração de outras organizações da sociedade civil, parceiras da organização, e indivíduos que participaram de oficinas de acesso à informação organizadas pela entidade.

Os dados coletados constituem uma evidência de que o Brasil deve investir no aprimoramento das práticas e na criação de estruturas ainda mais sólidas, que impulsionem de forma efetiva uma transformação da cultura do segredo para uma cultura de abertura, fazendo valer o direito humano à informação, conforme previsto em nossa Constituição e nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil.

Faça aqui o download da publicação.

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Índice de Percepção da Corrupção 2012

Mapaindex2012

OS GOVERNOS DEVEM PRIORIZAR O COMBATE À CORRUPÇÃO

Olhando para o Índice de Percepção da Corrupção 2012, é claro que a corrupção é a maior ameaça que a humanidade enfrenta. A corrupção destrói vidas e comunidades, prejudica países e instituições. Ele gera falta de confiança na população, o que desestabiliza sociedades e exacerba os conflitos violentos.

O Índice de Percepção da Corrupção pontua os países em uma escala de 0 (muito corrupto) a 100 (muito íntegro). Embora nenhum país tenha uma pontuação perfeita, dois terços dos países possuem pontuação abaixo de 50, indicando um problema mundial grave de corrupção.

A corrupção é traduzida no sofrimento humano e quem mais sofre são as famílias pobres que são extorquidas por subornos para terem acesso a atendimento médico ou a água potável. A corrupção causa falha na prestação de serviços básicos, como educação e saúde. Ela desvia a construção de infraestruturas essenciais, através de agentes corruptos desviando dinheiro público.

A corrupção equivale a um imposto sujo, e os pobres e mais vulneráveis são as suas principais vítimas.

Então, como podemos combater os efeitos da corrupção no setor público?

Os governos precisam integrar as ações de combate à corrupção em todos os aspectos da tomada de decisão. Eles devem garantir regras claras para o lobby e financiamento político, tornar todos os gastos públicos mais transparentes, e tornar os órgãos públicos mais responsáveis. Nós esperamos governos com posições mais duras frente ao abuso de poder.

Os resultados do Índice 2012 mostra que ainda há muitas sociedades e governos que precisam dar uma maior prioridade a esta questão.

TABELA COMPLETA E RANKINGS

O Índice de Percepção da Corrupção classifica os países e territórios com base em quão corrupto seu setor público é percebido. A pontuação de um país ou território indica o nível de percepção da corrupção no setor público em uma escala de 0 – 100, onde 0 significa que um país é percebido como altamente corrupto e 100, é percebido como muito íntegro. A classificação de um país indica a sua posição em relação aos outros países e territórios incluídos no índice. O índice deste ano inclui 176 países e territórios.

Ranking

Faça aqui o download do Índice em pdf.

Mais informações: http://transparency.org/cpi2012/results

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De Olho no Legislativo

Livro com metodologia para avaliar os representantes do legislativo. O projeto foi desenvolvido em 2012. Toda a pesquisa e programa foram coordenados por Humberto Dantas, cientista político.

É uma leitura obrigatória que pode ajudar muito no trabalho das Câmara Municipais. Trata de forma simples das funções dos nossos representantes políticos no parlamento e propõe uma metodologia de fácil aplicação para qualquer cidadão atuante que participa da política local. A proposta fornece uma ferramenta que possibilita cumprir o seu papel de votar, cobrar e avaliar os eleitos.

Faça aqui o download da publicação 'De Olho no Legislativo' .

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Graves Violações à Liberdade de Expressão de Jornalistas e Defensores dos Direitos Humanos

A violência e a intimidação são, indiscutivelmente, as interferências mais evidentes na liberdade de expressão. Quando se agride um jornalista ou um defensor dos direitos humanos por seu trabalho, coloca-se em risco não apenas a capacidade de expressão individual, mas também a possibilidade de toda uma coletividade obter informações, conhecer, comunicar e tomar decisões de forma livre, autônoma e independente.

A publicação“Graves violações à liberdade de expressão de jornalistas e defensores dos direitos humanos” de 2012, traz o resultado das investigações realizadas pela Artigo 19 com relação aos crimes de homicídios, tentativas de assassinato, ameaças de morte, sequestros e desaparecimentos. O objetivo do relatório é, a partir da perspectiva das vítimas e seus relatos, caracterizar e dimensionar os desafios de liberdade de expressão no Brasil.

Faça aqui o download da publicação ou acesse aqui a versão virtual: http://artigo19.org/relatorioviolacoes2012/

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O Combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil

O livro "O Combate a Corrupção nas Prefeituras do Brasil" é um guia para a detecção de corrupção no âmbito municipal e de mobilização da sociedade civil para o controle social. Foi escrito a partir da experiência da AMARRIBO Brasil, da Rede AMARRIBO Brasil-IFC.

A publicação descreve as principais formas que assume a fraude municipal, indica instâncias públicas de denúncia e apresenta casos práticos de participação cidadã. Também é contada a história do movimento que se iniciou em Ribeirão Bonito para combater a corrupção municipal e se disseminou pelo Brasil. Sua última edição conta ainda com informações sobre as recentes conquistas nacionais da sociedade civil, como a Lei da Ficha Limpa e a Lei de Acesso à Informação.

A versão eletrônica é disponibilizada gratuitamente em português e espanhol. Para adquirir a versão impressa acesse nossa loja virtual e faça seu pedido.

Faça aqui o download da 5ª Edição em Português e da 4ª Edição em Espanhol.

Para adquirir a versão impressa acesse nossa LOJA VIRTUAL e faça seu pedido.

 

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